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O SEGREDO E O PODER DAS METAS

A primeira viagem internacional.

Outro dia, uma jovem recém formada em engenharia me contou sobre a sua primeira viagem internacional. Ela me disse que queria ter feito essa viagem há algum tempo.  

Conversa vai, conversa vem, num determinado momento ela se deu conta de que conseguiu fazer essa viagem porque havia fixado, intencional e claramente, a meta de realizá-la.

Como sempre, eu aproveitei e perguntei: “Mas por que o fato de você ter fixado essa meta fez com que você, finalmente, conseguisse realizar a viagem?”

Ela respondeu simplesmente: “Não sei exatamente, só sei que funcionou, que deu certo.”

Eu insisti: “Mas por que deu certo? O que aconteceu antes da concretização da viagem que pode ter alguma conexão com a meta que você fixou? Quais foram os pensamentos, as ações, as decisões que desencadearam o processo que levou você à efetivação do que havia prefixado como meta? Será isso uma coincidência?”

Ela se deixou seduzir pelas perguntas e fez um esforço mental para recordar de alguns momentos que antecederam a viagem. Recordou de alguns e o seu rosto se iluminou com o que “viu”. Contou: “Teve um determinado momento no qual eu decidi deixar de comprar algo porque recordei de que queria fazer essa viagem; tiveram outros momentos nos quais eu fiquei atenta para não fazer nenhum compromisso nos dias em que pretendia viajar… sei lá… quando eu me dei conta, já havia comprado as passagens.”

Então eu lhe disse: “Percebe o que aconteceu? Você deu à sua mente uma direção. Então, oportunamente, sua mente fez você recordar que havia um objetivo, uma meta a ser cumprida. Caso não houvesse nenhuma meta, é bem provável que você tivesse simplesmente comprado o tal objeto sem pestanejar ou que tivesse feito outros compromissos em vez de comprar as passagens para a viagem, e assim por diante, não é mesmo?”

Ela ficou entusiasmada com o que percebeu e disse que fixará outras metas.

Na teoria é uma coisa, na prática é outra. Será?

Perceba que tomamos as teorias, geralmente, apenas em seu formato teórico. Na maioria dos casos, não praticamos as teorias e temos a audácia de sair dizendo que “na teoria é uma coisa, na prática outra”! Note que as pessoas que mais dizem isso são justamente as que menos praticam.

Como podemos ter o direito de separar a teoria da prática se nem nos damos ao trabalho de entendê-las? E, para entender uma teoria é preciso estudá-la de verdade dentro do contexto no qual ela foi criada para poder depois aplicá-la, efetivamente. Aliás, a não aplicação e a famigerada mania de atacá-las já começa por aí: a preguiça de pensar que é, inclusive, um dos efeitos da Síndrome do IJS – Isso eu Já Sei.

Mas, voltemos ao poder das metas: o psicólogo americano Edwin Locke, em 1968, publicou uma dissertação inovadora. Nela ele expôs as suas conclusões sobre como a ideia de agir em direção a algum fim claramente especificado pode ser uma fonte de mobilização em direção ao que queremos. Ele relata como objetivos e metas influenciam nossa tomada de decisões, nossos pensamentos, nossas ações, enfim, nosso comportamento. De lá para cá tem-se falado muito sobre isso, mas ainda é a minoria que realiza o esforço de praticar e verificar o poder dessa teoria na própria vida. A maioria ainda não está fazendo o esforço de fixar metas, simplesmente porque não quer se dar ao trabalho de pensar sobre o que quer realmente na vida. Lamentável realidade.

No caso da jovem que realizou a viagem, após nossa conversa que a fez refletir sobre os passos que deu desde a fixação da meta até a sua realização, ela percebeu que tinha, na verdade, dado para à sua mente um direcionamento.

Qual é o segredo, então?

O segredo, que não deveria ser segredo para ninguém, nada mais é do que dar à mente uma direção em vez de deixá-la a esmo, ou seja, sem rumo e desnorteada. Quando damos a ela uma direção, ela nos mobiliza às decisões e ações corretas e adequadas aos objetivos e metas que estão ali programados. Simples assim. Então o segredo e o poder da meta é que, dando à sua mente uma direção, ela “trabalha” para que você realmente alcance o que quer.

Se você prestar mais atenção ao funcionamento da sua mente, poderá verificar facilmente que ela funciona como uma antena de T.V., por exemplo. Se você sintonizar o canal certo, ou seja, aquele que você quer ver, são essas as imagens e sons que ela captará. Poderá, também, compará-la, metaforicamente, com um radar que detecta a presença daquilo que está programado para detectar.

Você já viveu esta experiência? Em um determinado dia resolveu que queria comprar um carro da marca X, da cor Y e ano Z. A partir deste momento, você ficou boquiaberto porque nunca antes tinha visto tantos carros XYZ transitando nas ruas. Por que isso aconteceu? Reflita sobre isso.

Não há segredo algum. Há apenas uma negligência da nossa parte com relação ao estudo sério e dedicado das teorias, pois tudo isso já foi dito, explicado e comprovado há décadas. Poderíamos nos beneficiar muito de tudo o que os estudiosos, pesquisadores e cientistas já descobriram e generosamente registraram nos livros e trabalhos acadêmicos disponíveis para quem quiser saber e aprender mais, de verdade.

Sobre o funcionamento desse maravilhoso mecanismo que temos que é a nossa mente, acontece a mesma coisa, ou seja, achamos que já sabemos de muita coisa e, por causa disso, não lhe damos o devido valor e a deixamos solta, sem direcionamento, nem comando. E o que acontece? Ela passa a ser comandada pelo sistema de crenças do inconsciente coletivo e, quer você queira ou não, goste ou não, concorde ou não, permita ou não, você acaba ficando exatamente como a imensa maioria das pessoas e depois reclama que ganha pouco.

Saia do comum e pare de achar que teoria é uma coisa e prática é outra. Pare agora mesmo com a preguiça de estudar se quer mesmo ser uma pessoa com mindset à prova de futuro.

A escolha é sua.

Só há dois caminhos:

  1. Assumir o controle da sua vida dando a ela uma direção, a que você quer. E, caso não saiba qual é, fazer o esforço mental necessário para descobrir. Ou,
  2. Ser controlado pelo programa padronizado e prefixado no seu mindset por meio do inconsciente coletivo. Este programa o faz conduzir a sua vida no modo automático seguindo as massas e produzindo o chamado “efeito manada”.

Pare de reclamar e achar que a vida é injusta com você! Não é mágica. Não é uma teoria sem fundamento, ao contrário, essa e outras inúmeras teorias estão por aí, só esperando uma atitude realmente inteligente de sua parte para que você teste, use e usufrua dos resultados! Se você, como centenas de milhares de pessoas desse século, está sofrendo da Síndrome do IJS, cure-se o quanto antes.

Pense seriamente sobre isso e faça da sua vida o que você quer fazer dela em vez de seguir “a manada”.


Por
Márcia Tiergarten

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